Encontro da Presidente do STF Carmem Lúcia com Temer, investigado por corrupção, causa reações nas redes
12/03/2018 - 18h56 em Política & Economia
 

Embora portais ligados ao governo tenham divulgado que a agenda das autoridades era sobre segurança pública, Folha de S. Paulo e G1 destacaram que o encontro faz parte de uma investida de Temer pela retirada de seu nome de um inquérito que tramita na Procuradoria Geral da República. O presidente sustenta que não pode ser investigado por fatos que ocorreram em 2014.

 

A visita de Michel Temer à casa da ministra e presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, na tarde de sábado (10), provocou reações negativas. No Twitter, o jornalista Xico Sá, por exemplo, chamou o encontro de "putaria institucional".

 

"A corrupção dos melhores, vale dizer, do STF, é a pior coisa que existe, pois aí, já Ruy Barbosa dizia, estamos perdidos porque não temos a quem recorrer, só ao Supremo Juiz. Gostaria de saber como fica a consciência da beatíssima Cármen Lúcia", disparou Leonardo Boff.

 

"Além de não colocar na pauta dos trabalhos [de abril] a votação sobre as prisões em 2ª instância (fato que fere uma cláusula pétrea: os direitos e garantias individuais - presunção de inocência), a Presidenta do STF ainda recebeu a visita do Golpista Temer em sua residência", disse o professor de História Abdala Farah Neto, no Twitter.

 

"O encontro de Temer com Cármen Lúcia neste sábado, aquela Presidenta que só faz o que a Globo manda, me remete a Romero Jucá: 'com Supremo, com tudo'", disse o advogado Carlos Pelegrini na mesma rede.

 

Ricardo Kotscho lembrou em seu blog que receber a defesa de Lula, Cármen Lúcia não quis. "É mais fácil ganhar na mega-sena do que a República da Farda & Toga deixar Lula ser candidato a presidente", ironizou.

 

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot disse no twitter: "Causa perplexidade que assuntos republicanos de tamanha importância sejam tratados em convescotes matutinos ou vespertinos."

 

Fernando Brito escreveu no tijolaço:

Cármen Lúcia jamais teve uma liderança real no Supremo Tribunal Federal, antes de cair-lhe ao colo a liderança formal que a presidência da corte lhe dá.

Teve um ou outro momento de brilho – sobretudo no caso da liberação de biografias não-autorizadas – mas foi, em geral, presença discreta e silenciosa nas questões julgadas no STF.

Sua falta de comando evidenciou-se, mais do que em qualquer outro momento, no julgamento sobre a suspensão do exercício do mandato de Aécio Neves, quando proferiu um voto confuso, no qual não teve a coragem de perder com a minoria e foi contestada pelos dois lados: tanto por quem defendia a incompetência do Supremo para impedir o exercício de um mandato parlamentar quanto pelo próprio ministro Luís Edson Fachin, que sustentava o oposto e foi derrotado.

Ao receber Michel Temer em sua casa, na mesma semana em que o ocupante do Planalto encara duas decisões amargas de seus pares (e ambos parte de seu fraco apoio interno: o próprio Fachin, figura diminuta, e Luis Roberto Barroso, uma mariposa jurídica), a presidente do STF se enfraqueceu de uma forma que não poderia ter feito.

É evidente que o encontro privado e domiciliar  com o presidente investigado, ainda que possa ter sido pedido com o argumento de que se trataria da intervenção do Rio de Janeiro, teve outros objetivos, ainda que cerimoniosamente tratados. O que é cerimonioso, porém, precisa de olhos que o observem, sob pena de suspeitar-se nele cumplicidade.

Pode-se argumentar, com razão, que é tema que exige entendimento entre quem ordena a intervenção e quem a legitima juridicamente. Mas, manifesto o desejo de expor as condições em que se realiza a ação excepcional de intervenção, a presidente do STF só se engrandeceria ao atender ao pedido no próprio Supremo e com a presença de seus pares.

Se não o fez, denota um de  dois desejos: ou de se pretender “dona”, que não é, da vontade do Tribunal ou,  o de obter apoio interno da “bancada do Temer” no Supremo. Em qualquer hipótese, um tiro no pé, pois a leitura é a da cooptação.

Porque, a qualquer olho míope que seja, a visita do presidente neste sábado é tão natural quanto as pedaladas que ele deu, para as câmaras de TV, hoje, no Palácio do Jaburu, nas quais só faltaram as “rodinhas”, de tão à vontade que estava.

As cenas de marketing são semelhantes no ridículo e no inócuo.

Mas revelam que ambos, Temer e Cármen, cuidam mais de não cair do que de andar para a frente.

 Fonte: JORNAL GGN / JORNAL METROPOLE / TIJOLAÇO

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