Guerra entre a Globo e Bolsonaro só tem balas de festim, até agora
04/11/2019 09:31 em Política & Economia

Nos anos 70, um programa humorístico da Globo, escrito por Max Nunes e Haroldo Barbosa e estrelado por Jô Soares e Renato Corte Real – “Lelé e Da Cuca”, lembrarão os mais antigos – tinha o título de “Faça Humor, Não Faça a Guerra”, brincando com a referência hippie, em ritmo de iê-iê-iê.

 

Era humor – engraçado e irreverente – mas que nada tinha de enfrentamento com o poder autoritário do qual a Globo era cúmplice e sócia.

 

Sinto o mesmo quando vejo nos humorísticos da Globo, hoje, os ataques hilários – e nada difíceis, sem demérito aos roteiristas – a Jair Bolsonaro.

 

Nada de mais, é mesmo tosco e caricato o comportamento do presidente e sua prole, destas de dar descanso aos cartunistas que tanto amo – e exploro, cá no blog, reproduzindo seus traços – porque a piada, copyright Zé Simão, é pronta.

 

Não é o mesmo o que ocorre com o lado “sério” e magistral da emissora, no jornalismo ou no que assim se intitula, que mais mereceria o nome de “editorial”.

 

Fala-se, é fato, de Jair Bolsonaro com um certo desprezo, como aquele tratamento que as elites dão aos subalternos: torce-se o nariz à grosseria, ao filhotismo, á falta de modos.

Mas é-lhe reconhecida a condição de serviçal eficiente.

 

Bolsonaro jamais é atacado no que de mais danoso ao país e ao povo faz, porque o que de mal e danoso faz é exatamente o que querem que ele faça.

 

O problema é que o clown que puseram como rei, rei quer ser e continuar sendo.

 

A destruição da política que promoveram deixou-os sem políticos para lançar mão.

 

A alternativa que têm é algo por demais “da casa”, de quem não quiseram lançar mão, por arriscado, em 2018, mas que deixam a mão para 2022, seu bom moço Huck.

 

Tê-lo candidato, num quadro onde as forças da direita não estão unificadas – Bolsonaro é presidente e João Dória é governador de São Paulo, e isso os faz fortes apenas pelo cargo – é submeter-se a uma disputa onde não terão o monopólio que marcou a existência do Império Globo.

 

Outro império, o dos os romanos, aceitou os bárbaros como garantidores de suas fronteiras, mas não soube ceder-lhes poder político quando chegaram os hunos.

 

A Globo, até agora, dispara balas de festim contra Bolsonaro, o que só provoca reações da fera. Paquidermes como ele têm couro grosso, e foi sua natureza e agressividade de rinoceronte que o elegeram.

 

Não se sabe se a Globo tem outra munição. E menos ainda se quer usá-la.

 

Por Fernando Brito

Fonte: Tijolaço

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